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The Eye - Visão de Morte (2002)
 
Mun, uma rapariga cega desde os dois anos de idade, vai fazer um transplante das córneas. Extremamente feliz por ir poder ver o Mundo e a sua cara sem que seja através do toque, Mun faz a operação e recupera a vista. Com os seus novos olhos começa a ver um mundo novo mas o que ela não sabe é que vai ver mais do que queria.
 
Esta é a história do mais recente filme dos Irmãos Pang. Um filme de terror onde a fraca visão da personagem principal nos envolve numa neblina e nos deixa na constante dúvida sobre se o que vimos é mesmo real.  
 
Mun é uma pessoa bastante forte, cheia de vontade de ver este nosso mundo que ela considera ser maravilhoso, no entanto depois de o ver começa a perder essa vontade! Apanhada entre os dois mundos, o dos invisuais e dos visuais, Mun sente-se perdida. Apoiada por uma família muito enigmática e por um médico, demasiado novo para exercer a sua profissão, começa a recompor-se e a ganhar forças para a missão que terá à sua frente. Angelica Lee consegue levarmo-nos ao longo do filme a gostar da sua personagem a ser a sua personagem, consegue ser bastante expressiva e credível no seu papel. Cada vez que ela treme nós trememos também.
 

O filme poder-se-á dividir em duas partes distintas. A primeira, a fase inicial de pós-operatório onde ainda não se sabe bem se ela vê fantasmas ou apenas pessoas, sensação que nos é dada através de imagens desfocadas como se estivéssemos envoltos de nevoeiro. Contudo, após a recuperação não ficam dúvidas quanto ao legado que tem e a segunda parte será então após o exorcismo realizado numa bela cena onde Mun nos toca o seu violino de uma forma quase sobre-humana. Recompõem-se e torna-se numa pessoa com vontade de resolver o assunto, fica cheia de segurança.

Quando Mun parte para a Tailândia à procura da doadora das córneas e tenta resolver o seu problema, deveríamos estar mais envolvidos, mais interessados e infelizmente tal não acontece. O filme perde um pouco o seu ritmo e a capacidade de nos envolver torna-se fraca.
 
Neste ponto é de referir que, não podemos ver “The Eye” sem o comparar com “Sexto Sentido” de M. Night Shyamalan ou ainda com “Dark Water” de Hideo Nakata, filme do mesmo ano. “The Eye” é na verdade um corte e costura de vários filmes do género. Um ensaio dos Irmãos Pang que como produto final será pouco mais que satisfatório. Exemplos desse corte serão: a cena do elevador extremamente arrepiante mas já vista no filme de Nakata e a cena em que Mun se apercebe e conta ao seu terapeuta que vê os mortos, fará sempre lembra “I see dead people”. Apesar disso o filme consegue ter algumas ideias originais com por exemplo a sobreposição dos quartos e a revelação que nos é dada a meio do filme como presente de YingYing, a companheira de quarto de hospital de Mun.
 
Os fantasmas que nos aparecem no filme não são muito aterradores, por vezes assustam mas mais devido à música aterradora que serve a intenção do filme, e muito bem diga-se desde já, ou à própria interpretação de Lee. Como já foi dito, a identificação com a sua personagem é tão rápida que quando ela se assusta, nós assustamo-nos também. Mas até aqui tudo bem, o filme poderia não ter fantasmas assustadores e ser na mesma arrepiante. Quantos bons filmes não apostam antes na imaginação do espectador do que nas imagens de fantasmas pavorosos, exemplo perfeito, “Below” de David Twohy.
 

 
O verdadeiro problema do filme, e o que faz com que “Dark Water” e “Sexto Sentido” sejam superiores, é o facto de que este é apenas um filme que fala de mortos. Um filme que quer assustar. Os outros assustam mas também retratam problemas da sociedade, falam de relacionamentos familiares, de posições sociais, de lutas individuais. “The Eye” tenta manter estes temas na sua narrativa, a luta de Mun pelo sonho de ver, a sua família que tem problemas, o seu relacionamento com Dr. Wah, no entanto é de uma forma tão superficial que quando saímos do filme já não nos lembramos delas.
O único tema que verdadeiramente foi tratado foi o da rejeição, de não se aceitar as pessoas que são diferentes, não sobre Mun e pelo facto de ser invisual, mas através de Ling. O medo do desconhecido torna-nos inumanos. Os poderes de Ling e a capacidade de prever acontecimentos, sempre trágicos, levam-na à exclusão, torna-se num pária da sociedade. A dor de se ver impotente perante a morte dos outros torna-se evidente na cena final onde Mun faz a sua fusão com Ling. Apesar de ser um bom tema, só está presente nas últimas cenas do filme o que se torna um pouco redutor.
 
Contudo, passam-se uns bons momentos de medo durante o filme e nesse aspecto o filme é conseguido se não relembrar a cena no meio da noite no hospital com a senhora que tem frio. UHHH

22-11-2003

NOTA: 6/10  
 
Por  Gally