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Herói
(2002) |
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Finalmente
estreia entre nós “Hero”, filme de Zhang Yimou, realizado em 2002 (e,
diga-se de passagem, já disponível em DVD Zona 0 ou Zona 3 em todas as boas
lojas on-line por um preço ridículo).
Para
quem acompanha o cinema asiático, a notícia do projecto “Hero” foi um
choque. A ideia de ver um wu xia pian com Jet Li, Tony Leung, Maggie Cheung,
Zhang Ziyi e Donnie Yen deixou muitos de nós a sonhar alto.
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Uma
vez visto o filme, o veredicto é positivo? Meus amigos, muito mais do que isso!
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A história é simples:
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Há
200 anos a China estava dividida em 7 reinos. Durante anos, travaram-se guerras
sangrentas entre os reinos e o Rei de Quin era o mais cruel e o mais temido de
entre eles. São inúmeras as lendas de tentativas para assassinar o grande Rei
e o filme trata de uma delas.
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Um
homem sem nome (Jet Li) apresenta-se ao Rei declarando ter morto os 3 assassinos
mais poderosos que o planeavam matar, Espada Partida (Tony Leung), Neve Esvoaçante
(Maggie Cheung) e Céu (Donnie Yen). Como prova, traz com ele as respectivas
armas dos assassinos ganhando assim uma audiência com o Rei. Segue-se o relato
de “Sem Nome” sobre como tudo aconteceu mas o Rei tem uma outra versão da
história...
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Com base num jogo de falsas aparências, Zhang
Yimou,
também autor do argumento, constrói uma narração do tipo “Rashomon” com
vários pontos de vista e várias versões dos acontecimentos. A estrutura está
bem conseguida e desenvolve uma história à priori linear mas mais complexa do
que parece. Todavia, não surpreende por já não ser novidade.
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A
verdadeira força do filme é a sua estética, nunca vimos nada assim (pelo
menos eu não!). Cada imagem é um soco visual, cada pormenor um deleito para os
olhos. São inúmeras as cenas fortes: uma aula de caligrafia resistindo à
chuva de milhares de setas, a luta de 2 mulheres apaixonadas pelo mesmo homem
num turbilhão de folhas, o confronto no rio, a discussão final entre 2
amantes, etc. acabando por ser uma agradável surpresa vindo do realizador, que
não é um habitué deste tipo de filme.
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Na
base do sucesso técnico, está a fotografia e as coreografias. Christopher
Doyle, director de fotografia habitual de Wong Kar-Wai, efectua um trabalho perfeito ao nível das luzes e das cores. Ching
Siu-Tung demonstra mais uma vez a sua mestria, privilegiando a graciosidade e a
beleza à acção. Depois da saga “Chinese Ghost Story”, de “Duel to the
Death” e de "The Heroic Trio", não esperávamos menos de um dos melhores coreógrafos do cinema
contemporâneo.
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A
cena do ataque ao palácio do Rei por 2 assassinos e o confronto que se segue
entre Espada Partida e o próprio Rei é um modelo da fusão perfeita entre o perfeccionismo
de Yimou, o
estetismo de Doyle e a eficácia de Siu-Tung. |
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Onde
se reconhece também a assinatura de Zhang Yimou é no desenvolvimento das
personagens: o trabalho sobre os olhares, os silêncios, os posicionamentos dos
actores no ecrã. O uso das cores é também fundamental na estrutura narrativa
escolhida, para transmitir os sentimentos aos espectadores sem recurso excessivo
aos diálogos. |
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Igualmente
perfeitos estão os actores, com destaque especial ao casal Maggie Cheung –
Tony Leung, realmente convincentes, como sempre. Também dá prazer ver o Jet Li
de volta aos grandes filmes e a defender uma verdadeira personagem, depois de
todas as bostas que fez nos Estados Unidos.
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Em
conclusão, estamos perante uma obra-prima, que transcende o género em que se
insere, ganhando o estatuto de filme único e desde já um clássico do wu xia
pian. |
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A
não perder no cinema, para poder assistir a 1h30 de puras sensações
cinematográficas.
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27-09-2003
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NOTA:
10/10
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